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Quitanda

Avaliação externa

Avaliação externa da Pandorga Formação
Extrato do relatório concluído em 31 de outubro de 2017 

QUESTIONÁRIOS: SÍNTESE DOS RESULTADOS

A síntese dos resultados toma por base as perguntas do questionário, embora integre também informações das entrevistas e observações. Os aprendizados teóricos e práticos têm como referência as perguntas 1 e 2 do questionário; a aplicação ou impacto dos aprendizados corresponde às perguntas 3 e 4; as implicações para a formação pessoal resumem respostas da pergunta 5; a avaliação dos cursos Pandorga corresponde às perguntas 6 e 7; por fim, seguem-se as recomendações e sugestões, conforme pergunta 8.
 
Foi enviada a 445 endereços de e-mail fornecidos pela secretaria da Pandorga Formação uma mensagem, informando sobre o objetivo da avaliação e convidando para acessar o link do Google Forms onde havia sido postado o questionário. Os cursos Pandorga atenderam até esta data um total 1.059 profissionais e pais de pessoas com autismo, sendo priorizados para esta avaliação os egressos dos cursos 2016 e 2017. Foram obtidas 83 respostas, cuja distribuição por faixa etária, nível de formação, atuação profissional pode ser verificada nos dados a seguir reproduzidos:
 
Sexo:
Mulheres = 98.8%                                                       Homens = 1.2%
Idade:  menos de 25 = 3.7%; 26-35= 18%; 36-45 = 45.8%; 46-55 =20.5%; mais de 56: 6%
Profissão e relação com pessoas autistas:
Professor(a) de pessoa com autismo = 65.1%
Familiar de pessoa com autismo = 9.6%
Outras = 25.3 % (terapeutas, psicólog@s, psicopedagog@s, fonoaudiólog@s, outros profissionais)
Educação:
Graduação universitária = 74.7%; graduação universitária + especialização = 24.1 %; educação secundária: 1,2 %
 

OS APRENDIZADOS TEÓRICOS E PRÁTICOS

Há um consenso entre os participantes de que uma das forças dos cursos Pandorga é a estreita relação entre teoria e prática. Nesse sentido, há uma perfeita convergência entre a ênfase desejada e planejada pela coordenação dos cursos, a realização dos mesmos pelos ministrantes e a percepção dos participantes.

O que dizem alguns participantes:
 
  • O mais importante dos cursos que eu fiz é que as palestrantes além da teoria sabem na prática. Mostram como fazer.
  • Me ofereceram embasamento teórico (sobre o funcionamento da pessoa com TEA) e também estratégias a serem utilizadas para com essas pessoas. 
  • Os profissionais que ministram os cursos sempre nos acrescentam na nossa formação teórica nos levando a refletir sobre nossa prática.  
  • Todos os cursos foram muito relevantes, mudaram meu olhar sobre os alunos, me auxiliaram na elaboração de estratégias pedagógicas e metodológicas para o enriquecimento do meu trabalho. 
  • Além de compreender o espectro do autismo, com suas especificidades na maneira de pensar, agir e comunicar, os cursos trazem informações técnicas/metodológicas referentes à aprendizagem e a aspectos de tratamento e intervenções diárias para com a pessoa com autismo.
 
Embora se acentue a estreita ligação entre teoria e prática, é possível distinguir aprendizados importantes em cada uma das dimensões:
 
Dentre os aprendizados teóricos são mencionados os seguintes:  mudança da percepção da pessoa autista (“mudaram meu olhar”); sobre o funcionamento neurológico da pessoa autista; a compreensão do espectro do autismo; maior compreensão da legislação vigente no país sobre a inclusão; o caráter único de cada pessoa autista, com o seu tempo e sua maneira de aprender; o desafio para rever conceitos, preconceitos e perder o “medo do diferente”.
 
Como aprendizados práticos são destacados: utilização de recursos de integração sensorial e da comunicação alternativa; a alfabetização de pessoas autistas; o método TEACCH; organização da rotina na escola e na família; a proposta da sala de recursos; a prática de atividades motoras; a organização do ambiente; a interação com o meio; atividades de sensibilização; confecção e utilização de recursos audiovisuais; capacidade de avaliar o grau de autismo de cada aluno e desenvolver práticas adequadas. 
 

A PRÁTICA: APLICAÇÃO DOS APRENDIZADOS E IMPACTOS

Os cursos da Pandorga Formação têm um importante impacto nas instituições, nas comunidades e na região. Principalmente profissionais que passaram por mais de um curso sentem-se capacitados para, dentro de suas condições, passar adiante os conhecimentos adquiridos nos cursos.

Algumas manifestações dos egressos dos cursos expressam a relevância da formação para seu desempenho profissional e para mudanças no seu contexto em relação à compreensão e atitudes concernentes ao autismo:
 
  • Através do curso consegui trazer novas ideias para a escola onde trabalho e dar mais segurança para os pais dos alunos, mostrando que estou sempre em busca de conhecimentos para melhor atender os alunos. 
  • Sendo uma instituição (Pandorga Formação) de grande reconhecimento, me sinto segura em falar sobre o aprendizado adquirido, bem como compartilhar meus conhecimentos. 
  • Como monitora forneço ideias e estratégias no planejamento dos professores destes autistas bem como forneço esclarecimentos para colegas e pessoas do convívio dos mesmos. 
  • A Pandorga colaborou na construção dessa base (sólida) e, atualmente, sinto-me uma aprendiz autônoma na busca de novos conhecimentos e uma militante com um discurso coeso e bem fundamentado.
  • Pandorga foi minha salvação. Mesmo sendo formada em Educação Especial, não me sentia apta a trabalhar com alunos autistas. 
  • Juntamente com o atendimento às pessoas com autismo, fazemos reuniões mensais com os familiares para auxiliar na compreensão e aceitação de seus filhos, bem como realizamos seminários e encontros regulares com os professores das classes comuns.
 
O impacto positivo se estende para as famílias, onde especialmente as mães assumem o cuidado das crianças autistas. Além da sobrecarga de trabalho que a atenção às pessoas autistas representa para as famílias, estas se sentem despreparadas para um atendimento efetivo. Muitas vezes a não compreensão do autismo ocasiona vergonha devido ao preconceito. Uma mãe relata com detalhes o desenvolvimento de sua filha de cinco anos depois que passou a ser atendida por uma profissional que também repassava “tudo de novo que ela aprendia nesses cursos Pandorga”. Menciona como aprendeu a usar imagens para se comunicar com a menina porque entendeu que precisa “reduzir, minimizar” para se comunicar. Por exemplo, em vez de dizer “Maria[1] você precisa comer”, reduzir para “Maria, almoçar”. Aprendeu também que com uma folha com um simples “X” consegue transmitir uma mensagem de desaprovação. A irmã gêmea, que a acompanha na escola, também carrega o “X” na mochila para evitar que Maria se machuque em lugares potencialmente perigosos.
 
 Ouvimos vários relatos desta natureza que, na sua simplicidade, significam muito para os pais que se sentem desamparados para lidar com seus filhos. Outra mãe que participou de um curso relata: “Meu filho é autista, tem sete anos, está na idade escolar de alfabetização. O curso de que participei me ajudou muito a entender como o cérebro da criança autista funciona e como ocorre o processo de formação da leitura e escrita nos indivíduos autistas. Hoje posso ajudar meu filho na caminhada rumo à alfabetização”.
 
Além da repercussão dos cursos no local de trabalho e na vida das famílias, há também o impacto na sociedade local e na região. Boa parte das profissionais que responderam o questionário realiza cursos de formação para professores das escolas do município ou de municípios vizinhos. Às vezes, se trata de ações simples como emprestar livros ou passar adiante o material fornecido nos cursos.
 
Destacamos algumas das atividades registradas nas respostas do questionário:  participação em grupos de estudo sobre o tema; palestra no dia da consciência autista no município; assessoria pedagógica para escolas da região; criação de grupo de apoio a pais, familiares e profissionais interessados na temática do autismo; escrita de capítulo de livro, palestras e supervisão psicopedagógica; palestra na universidade da região; divulgação dos cursos da Pandorga Formação na região; formação de professores através de curso ministrado na Universidade por egressa do curso; palestra no Rotary Club da cidade; palestras para escolas do município e municípios vizinhos; participação no conselho de defesa dos direitos, pautando a questão do autismo; realização de seminário pioneiro sobre autismo na região.
 
Em suma, tanto as respostas aos questionários quanto as entrevistas e observações confirmam que Pandorga Formação é hoje uma referência para o trabalho com pessoas autistas. Em um dos municípios visitados está sendo formada uma associação de familiares de pessoas autistas, por iniciativa da própria comunidade, porém fortemente influenciada e apoiada por profissionais e pais que participaram de cursos. Nota-se que as pessoas que participam dos cursos se sentem comprometidas com a “causa das pessoas autistas” e de certa forma responsáveis por não deixar desatendidas as crianças da escola e da comunidade. Os cursos proporcionam confiança para agir, mas como ressalta uma profissional, “com humildade”. Ou seja, nos cursos aprenderam que se trata de um assunto complexo que requer formação continuada. Daí também a tendência a continuar participando de novas edições de cursos oferecidos por Pandorga Formação.
 
 
OS CURSOS E A FORMAÇÃO PESSOAL

Na avaliação interessava verificar também o significado dos cursos para a formação individual, como pessoa, não apenas como instrumentos de capacitação profissional. As respostas, mais uma vez, confirmam integralmente a relevância dos cursos. Dentre as respostas que apontam para o impacto na formação pessoal destacamos as seguintes:
 
  • Contribuíram no fortalecimento do amor pelo meu trabalho. 
  • Me tornou pessoa melhor. 
  • O curso de que participei me ajudou a ver a vida de outros ângulos. Perceber que existem milhares de jeitos diferentes de viver e de nos comunicarmos, e isso não só no universo autista. 
  • Como formação pessoal é fantástico. Quanto mais conheço, pareço estar mais íntima dos autistas. 
  • Além (da formação) profissional, a formação ocorre em nível pessoal, pois me permitiu compreensão, flexibilidade, autoanálise e reflexão sobre minha prática. 
  • Entendo que nem sempre a minha maneira de ver o mundo é a verdadeira. Aprendi a respeitar as características do autista. 
  • Através do curso consegui me apropriar de argumentos para defender o que eu acredito, que é uma inclusão efetiva e de qualidade. 
  • Contribuíram no sentido de provocar reflexões e ser uma pessoa que respeita e compreende a diversidade humana. 
  • Me ajudou a evoluir, mostrando que todos são capazes de aprender.
 
As respostas apontam de forma unânime que os cursos não promovem apenas a qualificação técnica, mas modificam a maneira de ver as pessoas, a realidade e o ensino/aprendizagem. Contribui muito para isso o clima que se estabelece nos cursos, entre os participantes, mas também com os docentes. O fato, por exemplo, de estarem juntos nas refeições e a acessibilidade dos professores são destacados como fatos muito positivos para criar vínculos.
 

AVALIAÇÃO DOS CURSO PELOS PARTICIPANTES

As respostas à pergunta “De modo geral, como avalia os cursos?” foram todas elas muito positivas. O gráfico abaixo traz uma síntese.
 
Gráfico
 
Boa parte dos motivos para esta apreciação positiva já se encontra nos tópicos anteriormente abordados. Cabe aqui trazer informações complementares, mais especificamente sobre a qualidade dos cursos, respectivamente dos professores, e sobre a percepção dos participantes do trabalho da coordenação e serviço de apoio.
 
Sobre a qualidade dos cursos:

Os participantes mencionam que nos cursos da Pandorga Formação encontram subsídios teóricos e práticos que não são oferecidos nem pelas universidades nos cursos de formação de professores e outros profissionais, nem nas palestras e cursos que eventualmente conseguem frequentar. Além do mais, cursos proporcionados pelas agências governamentais tendem a enfatizar as políticas de inclusão sem, no entanto, fornecer instrumentos teóricos e práticos para a sua implementação.
 
  • Os professores e as professoras que ministram os cursos Pandorga têm muita experiência a respeito do TEA (Transtorno do Espectro Autista). 
  • Além da capacitação teórica são oferecidas oficinas e, principalmente, pelo alto nível dos palestrantes é possível atrelar os exemplos apresentados com as necessidades diárias enfrentadas. 
  • Através da experiência de nossos professores que ministram os cursos podemos colocar (os ensinamentos) em prática com nossos pacientes e ajudar famílias.
 
Sobre a acessibilidade

A Pandorga Formação oferece os cursos com baixo custo para os participantes, além de apoios para viagem (há participantes que viajam mais de 600 km) e hospedagem durante os cursos. Isso é fundamental na atual situação do magistério que não dispõe de recursos próprios para financiar sua formação continuada. Aponta-se ainda como muito favorável a realização dos cursos em fins de semana e em períodos de férias. Outro dado importante é que o apoio financeiro da Pandorga possibilita o acesso a pessoas de cidades pequenas do interior do estado, que em geral têm menos acesso às oportunidades de formação.
 
  • A Pandorga não só oferece qualidade, oferece também condições dos cursos serem ofertados. 
  • A bolsa viagem é fundamental, principalmente para as pessoas que moram mais distante. Sem ela o acesso ao curso se torna difícil e em alguns momentos impossível. 
  • Bolsas e auxílios caíram do céu. 
  • Temos a convicção de que esta instituição (Pandorga) de fato está comprometida com as pessoas com TEA, apostando com qualidade e seriedade na formação de profissionais e familiares para dar uma maior qualidade de vida às pessoas com autismo. 
  • Sem os auxílios que a Pandorga oferece seria inviável me aperfeiçoar. Mesmo sentindo necessidade de saber mais sobre o assunto, minhas condições financeiras não permitiriam buscar este esclarecimento. Tenho muito a agradecer à Pandorga. 
  • Atinge a classe dos professores que têm baixa remuneração. 
  • Eu somente tenho condições de participar dos cursos por causa da bolsa viagem.
 
Sobre a coordenação e o serviço de apoio:

No questionário perguntou-se sobre os trabalhos de coordenação e secretaria da Pandorga Formação. Das 83 respostas, 82 são unânimes em exaltar a qualidade do serviço, a disponibilidade, a competência, a organização e responsabilidade da coordenação e do serviço de apoio.  Dentre os aspectos positivos está o permanente acesso através de e-mail e celular. Seguem alguns exemplos de respostas recebidas:
 
  • Considero organizados, atenciosos e comprometidos com o trabalho. 
  • Excelente e organizadíssimo. 
  • Pessoas que amam o que fazem. Não é um trabalho; é uma missão de vida. O clima que se estabelece nos cursos é de uma grande família. Só tenho a agradecer. 
  • Profissionais que estão sempre disponíveis, realizando um trabalho muito bom, deixando todas as informações acessíveis, dando retorno quando necessário. Só tenho a elogiar o trabalho de todos os profissionais da Pandorga Formação. 
  • Excelência é a palavra que define a equipe. 
  • Acho que a Pandorga está de parabéns; é tudo muito sério. Eu posso confiar sempre! 
  • Resumo em duas palavras: carisma e competência. 
  • Tanto a coordenação quanto a secretaria têm feito um trabalho admirável neste tempo todo (aproximadamente 7 anos) em que frequento os cursos.
 
A avaliação das participantes coincide com o esforço realizado pela secretaria, conforme depoimento em entrevista com as secretárias:
 
A gente se esforça muito para tudo ocorrer muito bem, e superar os obstáculos que
surgem no caminho. Eles surgem do mesmo, então a gente tenta se prevenir, mas também quando eles vierem para que as coisas possam acontecer com muita tranquilidade (...) e para a gente conseguir fazer todo o serviço e ainda ter tempo de conferir todo o serviço (...).  Esse trabalho diário, tudo que a gente faz no escritório é para esses cursos acontecerem e para o conhecimento se disseminar.
 
 
SUGESTÕES E RECOMENDAÇÕES
 
No questionário foi incluída uma pergunta sobre sugestões e recomendações para a oferta de futuros cursos. Nas entrevistas se perguntava de forma mais incisiva sobre aspectos que os participantes consideravam necessários ser melhorados. As respostas identificaram questões pontuais, não havendo nenhuma crítica substancial aos cursos ou, de modo mais amplo, ao trabalho de Pandorga Formação. A maioria delas se refere à oferta de novos cursos, com temáticas ainda não contempladas. Dentre as sugestões estão as seguintes: cursos de integração sensorial, alimentação e nutrição, musicoterapia, construção de material, arte-terapia, avaliação de testes, cursos para pais e familiares, cursos sobre avaliação do autista, dança, educação física, autismo e linguagem, neurociência.
 
Todas as sugestões convergem para necessidades sentidas na prática e possivelmente alimentadas pela participação nos cursos oferecidos pela Pandorga. Uma das respostas reitera uma preocupação de pais quanto à continuidade da atenção para seus filhos. Sugere, por isso, tratar do “autismo na fase de transição de criança para adolescência”. Outra participante “gostaria de ter pessoas com autismo dando testemunho das práticas que mais se adequaram às suas condições”.
 
 
RESULTADO DA AVALIAÇÃO

Os dados coletados e analisados permitem afirmar que o trabalho de Pandorga Formação vem provocando profundas mudanças em relação ao autismo no Sul do Brasil. Em primeiro lugar, está o fato de o autismo começar a “aparecer” na sociedade. Como diz uma diretora de escola: “Não é que não existiam autistas antes, não existia o diagnóstico de autismo”. Isso tem a ver tanto com as políticas de inclusão quanto com o maior preparo de profissionais para fazer o diagnóstico e as condições para o devido atendimento das pessoas com autismo. As pessoas desenvolvem uma maior sensibilidade para com o autismo, mas também começam a se perguntar sobre possíveis causas relacionadas com o meio ambiente, com as novas formas de vida ou com fatores neurológicos. O fato de os cursos Pandorga não seguirem uma linha “ortodoxa” de explicação do autismo, promove uma abertura para a reflexão.
 
O trabalho de Pandorga Formação pode ser visto como complementar e necessário dentro da atual estrutura de formação de profissionais. A maioria dos participantes tem nível superior, mas relata que seus cursos não lhes deram as condições para atuar com pessoas autistas. Há ofertas de palestras, conferências e cursos que, devido ao alto custo, estão fora do alcance da maioria do público atingido por Pandorga Formação. As escolas visitadas [pela equipe de avaliação] se situam nas periferias de pequenas ou médias cidades do interior do estado e as professoras e outras profissionais não teriam condições de pagar um curso com recursos próprios, ainda mais – como afirmam com muito orgulho – com professores desta qualidade, inclusive internacionais. A formação oferecida pelas secretarias de educação, por sua vez, geralmente se restringe a informações sobre as políticas de inclusão.
 
A amostragem comprova ainda a distribuição desigual das tarefas de cuidado e formação na sociedade brasileira. A quase totalidade – um homem entre as respostas dos questionários, um professor e um pai entre os entrevistados – mostra que o trabalho com as pessoas autistas recai em boa medida sobre as mulheres. Os cursos servem para elas se capacitarem e compartilharem suas angústias e vitórias. Verifica-se, no entanto, um crescente envolvimento dos homens, como é o caso de um casal que participará do curso, trazendo seu filho autista e se revezando no seu cuidado durante as atividades.
 
A avaliação não deixa dúvidas sobre a relevância social e acadêmico-educativa do trabalho realizado por Pandorga Formação no atual contexto brasileiro. A Lei nº 12.764 de 27 de dezembro de 2012 institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Essa medida faz com que as pessoas com autismo passem a ser consideradas oficialmente pessoas com deficiência e com isso têm direito a todas as políticas de inclusão do país, entre elas a educação. Em contraposição a essa legislação positiva e necessária do ponto de vista social e pedagógico, verifica-se uma quase que total ausência de capacitação para um atendimento adequado ao que a legislação propõe. Pandorga Formação, nesse sentido, preenche uma lacuna não atendida por outras instituições de formação.
 
O papel de Pandorga Formação vai além da complementariedade em termos de capacitação para o trabalho com pessoas autistas. Há nos cursos um pioneirismo em termos de “visão” social e acadêmica que pode abrir caminho para muitas outras formações na educação especial e em outras áreas. Por exemplo, a atual organização em módulos permite que as pessoas participem de um maior número de cursos, de acordo com suas necessidades e disponibilidade. Com isso se passou de uma média de 1,3 curso por pessoa, ao ano, a uma média de 2,89. Ou seja, é a formação continuada profissional no seu melhor sentido.
 
Há muitos outros fatos que avalizam a atuação consistente da Pandorga Formação. Um deles que merece destaque é a qualidade das publicações que, além de circularem entre professores, pais e outros profissionais, integram bibliografias de cursos universitários. Está em fase de preparação um livro com transcrições de palestras de Rita Jordan, com 250 páginas, confirmando-se assim o interesse em constante qualificação da área.
 
Por tudo o que foi dito até aqui, esta avaliação endossa fortemente o apoio para a continuidade do trabalho. Ninguém melhor do que alguém que participou dos cursos para expressar isso com suas palavras:
 
Acho que esse trabalho que a Pandorga está fazendo não pode parar. Eu acho que foi essencial para o nosso crescimento. Aqui dentro da nossa Secretaria (de Educação) desde que eu comecei a fazer o curso Pandorga muita coisa mudou em função das possibilidades do que eu podia fazer. Os estagiários que nós temos aqui foi a partir do curso Pandorga; o currículo adaptado foi a partir da formação Pandorga; os debates das diretrizes da educação de Santa Rosa são a partir da Pandorga.
 

PARECER FINAL:
A avaliação realizada com base nas observações, entrevistas, questionários e estudo de documentos permite confirmar a excelência do trabalho realizado por Pandorga Formação. Nesse momento, no sul do Brasil, não há instituição que possa assumir com a mesma qualidade social, acadêmica e educativa o papel desempenhado pela Pandorga Formação e a interrupção de suas atividades acarretaria perdas muito grandes para um processo formativo criativo e inovador que está transformando a qualidade de vida de muitas pessoas autistas e seus familiares, e tornando a sociedade mais aberta às diferenças.
 
São Leopoldo, 31 de outubro de 2017
Prof. Dr.. Danilo Romeu Streck
Profa. Dra. Valburga Schmiedt Streck
 

 



[1] Nome fictício.

 

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